MINHA VOLTA
Volto com as mãos soltas, largadas...
Perdi meu sorriso.
Não estou de mal com a vida. Apenas um pouco
triste.
Será que você vai resistir?
Será que doeu o meu partir?
...
Volto como se nunca tivesse ido. Porque nunca
fui de fato.
...
Vejo que conserva o meu retrato.
Por onde andei? Importa?
Se bati em muita porta?
...
Podemos fazer de conta que esse tempo que
estive ausente não existiu.
Porque na verdade foi só meu corpo que partiu.
O resto ficou aqui. O pensamento. O coração...
Fui pra lhe dar uma lição e para aprender...
...
Agora podemos recomeçar. Estamos limpos, renovados.
Será que fomos os culpados?
...
Você está tão quieto e acho estranho.
Não gosta de me ver voltando?
Nem se levanta pra me receber.
É tarde demais, não é?
Estou chegando... é domingo.
Pensei que teria uma festa como a do filho pródigo.
“No fundo, no fundo eu sei que é tudo um sonho”.
...
Não há volta... não há domingo. Não haverá
festa alguma.
Porque o tempo que tudo engole já nos engoliu
... e fez um tempo novo onde não cabe mais nada.
Nem meu sorriso e nem o seu.
Você não festeja a minha chegada e nem eu volto.
Acabou-se o encanto de “nós”...
sonia delsin

Nenhum comentário:
Postar um comentário