quinta-feira, 20 de junho de 2013



MINHA ÚLTIMA VONTADE


Deixo aqui, para quando eu partir para sempre,
uma lista de pedidos a serem seguidos.
Peço que a sigam a risca, por favor.
Não me enterrem numa vala funda.
Não quero que meu pó se isole
num cemitério qualquer
e acabe no anonimato.
Quero ser transformada em cinzas
e espalhada sobre os lugares
que mais amei.
Quero que cada pedacinho meu
se disperse ao vento e se abrace
às minhas lembranças.
Nas noites frias o que fui sobreviva
e se una às gotas de orvalho.
Quero que se lembrem de mim como fui,
exatamente como fui.
Em suas memórias quero estar
mais viva que nunca.
Não quero que chorem por mim,
só me recordem docemente...
Não quero flores colhidas. Deixem-nas nos canteiros.
Quero-as balançando-se ao vento.
Virei tocá-las, acariciá-las.
Como beija-flor  pousarei sobre elas
e tomarei seu néctar.
Quero que leiam os meus poemas e não deixem
que eles morram no esquecimento.
Um dia, no futuro, quando meus descendentes
quiserem saber um pouco de mim
que alguém ainda possa
lhes mostrar um pouco
de minha alma.

sonia delsin 

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