quinta-feira, 20 de junho de 2013



ROSAS VERMELHAS

Éramos adolescentes, da mesma sala. Amigos.
Conversávamos. A coisa mais gostosa que existe para um adolescente é bater papo, jogar conversa fora.
Eram fiapos de conversas.
-- Qual a sua flor preferida?
Pensei um tempo e respondi:
-- Rosas...
-- Vermelhas?
-- Vermelhas, sim vermelhas!
Só então me dei conta de que antes não havia procurado saber qual era a minha flor preferida, mas estava absolutamente correta a resposta. Eram mesmo as minhas flores preferidas.
Depois de alguns anos esse amigo dedicou-me uma serenata.
Eu havia passado por momentos bem difíceis e ele quisera demonstrar a sua amizade.
Foi uma pena, mas eu estava viajando e perdi o que não queria ter perdido por nada do mundo.
Cheguei naquele dia mesmo de viagem e vi num vaso lindas rosas vermelhas.
Perguntei de onde vieram e minha mãe contou-me tudo, sobre a serenata e até tentou reproduzir-me as cenas que perdi.
Beijei as rosas e pensei que estava precisada mesmo daquela manifestação de carinho.
Nunca contei a este amigo que perdi a serenata que ele me dedicou. Na verdade nos desencontramos depois deste episódio.
Tempos depois comecei a namorar e meu namorado me perguntou:
-- Qual sua flor preferida?
Prontamente lhe respondi:
--Rosas vermelhas.
Agora sim eu já sabia que eram mesmo as minhas preferidas.
Todas as vezes em que nos encontrávamos ele aparecia com um botão, ou uma rosa vermelha.
Outras vezes amarela, porque também amo as amarelas.
A vida mudou o curso da história e nos mudamos de cidade, mas continuamos namorando e um dia ele me surpreendeu com o mais belo buquê que eu já vira na vida.
Lembro-me que todas as noites eu colocava na sacada o vaso com as rosas e elas duraram muito tempo. Uma amiga costumava brincar dizendo:
-- São eternas estas flores.
E foram mesmo, pois que moram em meu coração até hoje.

sonia delsin 

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