A MORTE
Pontiagudas
pedras ferem meus pés nesta longa jornada.
Preciso
seguir, prosseguir, ir.
Preciso
pisar sobre pedras e espinhos.
Devo
ferir meu corpo e minha alma para me purificar.
Pelos
caminhos vou perdendo a juventude, a beleza.
Perdendo
a esperança, a ilusão.
Vou
me despindo de todas as minhas futilidades.
De
todas as mentiras e verdades.
Vou
em frente, marcho em busca de uma outra vida.
Uma
que está além do meu alcance.
Ou
do outro lado da porta.
Ou
até aqui mesmo a minha frente.
Ela
pode estar próxima ou distante.
E
o que nos afasta dela é uma barreira tão efêmera.
Tão
obscura e tão clara.
A
morte está em algum canto.
E
nos espera para ajudá-la a transpor essa barreira.
Ela
é desconhecida e nos assusta.
Querer
ir ou ficar não depende de nossa vontade.
Somos
só uma pecinha no mecanismo do universo.
E
movemo-nos de acordo com uma Vontade Maior.
Se
por instantes temos a ilusão.
A
ilusão de que somos donos de nós mesmos.
É
só uma fugaz ilusão.
Porque
na verdade nem mesmo a menor partícula de pó nos pertence.
sonia delsin

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