quinta-feira, 20 de junho de 2013



A  MORTE

Pontiagudas pedras ferem meus pés nesta longa jornada.
Preciso seguir, prosseguir, ir.
Preciso pisar sobre pedras e espinhos.
Devo ferir meu corpo e minha alma para me purificar.
Pelos caminhos vou perdendo a juventude, a beleza.
Perdendo a esperança, a ilusão.
Vou me despindo de todas as minhas futilidades.
De todas as mentiras e verdades.
Vou em frente, marcho em busca de uma outra vida.
Uma que está além do meu alcance.
Ou do outro lado da porta.
Ou até aqui mesmo a minha frente.
Ela pode estar próxima ou distante.
E o que nos afasta dela é uma barreira tão efêmera.
Tão obscura e tão clara.
A morte está em algum canto.
E nos espera para ajudá-la a transpor essa barreira.
Ela é desconhecida e nos assusta.
Querer ir ou ficar não depende de nossa vontade.
Somos só uma pecinha no mecanismo do universo.
E movemo-nos de acordo com uma Vontade Maior.
Se por instantes temos a ilusão.
A ilusão de que somos donos de nós mesmos.
É só uma fugaz ilusão.
Porque na verdade nem mesmo a menor partícula de pó nos pertence.

sonia delsin 

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