AS
GAIVOTAS NÃO MORREM JAMAIS
Tudo
um dia morre.
Para
um dia nascer é preciso que o outro se vá.
A
onda morre na areia para que a outra venha.
As
flores precisam morrer para que venham os frutos, as sementes.
No
ciclo da vida é preciso que a morte traga a vida.
Arrasto-me
pela vida assistindo a morte e a vida.
O
voo da gaivota é uma promessa de que elas não morrem jamais.
Olho-as
em pleno voo e alcanço-as no meu pensar que não se prende a terra.
Por
que nos importamos tanto com o que nos prende aqui ou não?
Tudo
ilusão!
O
que somos, o que fomos, o que seremos.
Tudo
ilusão! Ou não!?
As
gaivotas são livres. Voam, sobrevoam.
Pensando
bem também sou livre.
Alcanço
num instante o lugar onde elas estão e vou mais além ainda, vou além do
horizonte.
Já
livre da órbita terrestre estou solta no espaço sideral.
Quem
sou afinal? O que é um monte de carne e ossos que se torna pó?
Esta
minha parte fica presa aos limites impostos, mas a outra...
A
outra pode estar ou não.
A
outra é que é realmente.
Pensando
bem, não só as gaivotas não morrem jamais.
A
eternidade é um fato e a matéria que se deteriora é o veículo.
Tão
louco isso! Saber que somos eternos e temermos a morte. Se ela é o meio, o fim
e o começo de tudo.
A
morte é a resposta para a vida. E a tememos...
Ainda
assim a tememos.
sonia delsin

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