quinta-feira, 20 de junho de 2013



AS GAIVOTAS NÃO MORREM JAMAIS

Tudo um dia morre.
Para um dia nascer é preciso que o outro se vá.
A onda morre na areia para que a outra venha.
As flores precisam morrer para que venham os frutos, as sementes.
No ciclo da vida é preciso que a morte traga a vida.
Arrasto-me pela vida assistindo a morte e a vida.
O voo da gaivota é uma promessa de que elas não morrem jamais.
Olho-as em pleno voo e alcanço-as no meu pensar que não se prende a terra.
Por que nos importamos tanto com o que nos prende aqui ou não?
Tudo ilusão!
O que somos, o que fomos, o que seremos.
Tudo ilusão! Ou não!?
As gaivotas são livres. Voam, sobrevoam.
Pensando bem também sou livre.
Alcanço num instante o lugar onde elas estão e vou mais além ainda, vou além do horizonte.
Já livre da órbita terrestre estou solta no espaço sideral.
Quem sou afinal? O que é um monte de carne e ossos que se torna pó?
Esta minha parte fica presa aos limites impostos, mas a outra...
A outra pode estar ou não.
A outra é que é realmente.
Pensando bem, não só as gaivotas não morrem jamais.
A eternidade é um fato e a matéria que se deteriora é o veículo.
Tão louco isso! Saber que somos eternos e temermos a morte. Se ela é o meio, o fim e o começo de tudo.
A morte é a resposta para a vida. E a tememos...

Ainda assim a tememos.

sonia delsin 

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