sexta-feira, 21 de junho de 2013



CALAR É OURO!

Tantas frases inúteis...
Para que se debater?
Para que argumentar?
Ela se sentia afogar.
Era só desistir de tentar vir à tona.
Deixar-se afundar.
As forças já lhe faltavam.
O afundar era uma forma de ir-se.
Resignar-se à própria sorte.
Ir ou ficar... que diferença poderia fazer?
Não havia mais palavras que pudessem mudar qualquer coisa mesmo.
Como não havia ânimo para tentar vir à superfície buscar ar.
Coragem!!!
Por que se acovardar?
Mais uma vez. Mais uma... uma...
Foi então que ela lembrou-se que sabia boiar.
Girar o corpo e relaxar.
Eis que recordou frases tão antigas.
Havia se esquecido, claro!
Como esquecera tantas coisas mais...
A frase “Calar é ouro” e a frase “Falar é prata”.
Estava se destruindo pela “lata”.
Boiar e calar.
Um calar simbolizando esperar. Não fracassar.
Mas esperar... esperar a hora certa de falar.
O silêncio... só o silêncio a poderia ajudar.
Soberano, ele se faria notar e com certeza a iria salvar.

sonia delsin 


TRISTEZA

Não quero sentir esta tristeza.
Esta que me traz lágrimas aos olhos.
Que me leva a escrever versos infelizes.
Não quero mais sentir dor.
Já sofri demais pelos meus caminhos.
Quero colher flores e não pisar mais em espinhos.
Recordo um momento feliz para guardar na alma.
Desejo expulsar o mal que quer se aproximar de mim.
Velhos fantasmas de outros tempos.
Por que velhos fantasmas não se desgarram da gente?



sonia delsin 


PRAZER


Delícia, gozo, encanto.
Palavrinha tão curta.
Não encerra só isso,
no entanto.

O que é sentir prazer?
É quase se derreter...
É deixar o ser
se estender...

É isto que entendo por prazer.
Viver até quase morrer.

Estou enganada? Não é isso?
Pode dizer se me enganei.
Confundo as coisas, às vezes.
Pode dizer se me equivoquei.

Agora vou falar sobre o que acho
como é que o devemos proporcionar.
É entregar ao outro o que ele está a desejar.
Mas num ofertar que completa um igual ansiar.
É entender uma busca e a satisfazer
sentindo igual prazer.
É receber e dar. É dar e receber.

Prazer é quando
o céu e a terra não sabem mais...
se há distância entre eles.
É quando o mar
descobre que...
a areia não é o limite.
É quando o nosso corpo
descobre que...
o infinito
está ao nosso alcance.

sonia delsin 


LOUCOS ILUDIDOS

Do que vivemos...
senão de fantasias?
O que é viver
senão sonhar?
Porque a vida
é um sonho
de loucos iludidos.
Corremos atrás de ilusões
que se dissolvem
como bolhas de sabão.
Podemos construir impérios,
mas não somos os donos
de nada.
Porque na viagem final
partimos
como aqui chegamos.
A Terra pode
nos oferecer
tudo
o que fantasiarmos.
Mas são bens emprestados.
Podemos deixar
esses bens
nas mãos
de
nossos descendentes.
Mas
no ciclo da vida
um dia
eles também
deixarão tudo aqui.


sonia delsin 


BONECAS DE PANO

Como me lembro das bonecas de pano que mamãe fazia!
Meus olhinhos não se cansavam de admirá-las.
Nem meus bracinhos de embalá-las.
Eram restos de retalhos.
Mas feito com tanto carinho.
Os olhos, o nariz e a boca eram bordados.
As tranças eram feitas de lã.
Eram lindas para mim.
Tão lindas que eu não as trocava por nada.
Nas minhas fantasias eram minhas amigas.
Minhas confidentes.
Foram muito importantes para mim.
Elas enfeitaram a minha infância.
As minhas bonecas...



sonia delsin 


ODE A UM JARDIM

Lá, onde as flores florescem com todo esplendor.
Lá, onde o orvalho umedece a rosa vermelha “Príncipe Negro”.
Lá, onde os beija-flores sujam o néctar das flores.
E as borboletas azuis, brancas e amarelas voam inquietas.
Lá, onde o perfume é mais doce e as abelhas voam de flor em flor.
É o jardim dos meus sonhos, da minha infância.
Jardim de lírios brancos, rosas vermelhas e cor de rosa.
Margaridas e dálias.
Amores perfeitos, bocas de leão, petúnias.
E tantas outras belas flores...
Ó meu jardim!
Já morreu no tempo... mas não dentro de mim.

sonia delsin 


NÁUFRAGO

Apaixonei-me perdidamente por uns olhos.
Uns olhos que me despiam.
Era então uma menina.
Dessas bem tolas e inocentes.
Amei-o com paixão, com loucura.
E deixei passar por mim esse amor.
Deixei o tempo passar.
Deixei ele carregar consigo
as palavras que nunca trocamos.
Os olhares que nunca foram além disso.
Deixei o amor morrer lentamente.
Como um náufrago que nunca alcançou terra firme.
Deixei o tempo arrastar-me junto com esse amor inocente.
Que significou tanto.
Significando nada.


sonia delsin