sexta-feira, 21 de junho de 2013



ARRANHO O ESPELHO

Abro um sorriso bonito.
Corro a palma da mão.
Arranho o espelho.

Sou esta que ri?
Estes olhos que andaram por tantos caminhos
ainda parecem dois garotinhos...
Fito...
Sim. São dois meninos sorridentes.
Eles estão contentes.
Uma alegria que a vida não consegue me roubar
dá mais brilho ao meu olhar.
Sou esta sim... esta mulher sou eu...
Eu...
Tão bom ter esta coragem
de me encarar
e nos meus olhos
tanta paz encontrar.

 sonia delsin 


A FORÇA DOS SONHOS

Que passem os rios, os mares...
Que passem as estórias...
Que passem os ventos... as tempestades...

Ventarolas levam embora os sonhos do sonhador louco...
Mas aonde chegam eles renascem...
Há neles a força da vida...
A força do desejo...
São sonhos pra se viver...
Não são pra se perder...

sonia delsin 


VINTE LÁGRIMAS

Foram tantas... posso dizer que foram vinte.
Mas que diferença faz
se foram vinte e uma...
... milhares, ou muito mais?
Desaguei... me derramei.
Que bom poder chorar
quando o coração está a sangrar!
Parece que eu sabia
que tudo ia passar um dia.
Hoje me vejo a cantar...
Sim, a cantar...
A rir... a dançar...
A minha vida eu consegui de novo colorir...
Eu nunca que iria desistir.
As lágrimas que chorei formaram um colar
e caíram dentro de um mar...
Um mar chamado passado.
Um mar que pelo tempo acabou sendo tragado.

sonia delsin 



BOCA SEDUTORA

Meus olhos não conseguem se desprender.
É na sua boca sedutora que eu quero me perder.
Nos seus beijos...
Presa em seus braços quero estar...
Imagino o calor de seu corpo.
Suas mãos correndo na minha pele nua posso imaginar.
Da sua boca bonita os olhos não tiro.
Viajo.
Que sensação maluca!
Fico a imaginar as delícias que ela pode me proporcionar.
Continuo a viajar...
A viajar...
Consigo quase me transportar e com seus beijos me deliciar...


sonia delsin 


MOMENTOS TÃO ESPECIAIS

Gosto quando seu olhar se demora no meu.
Quando nossas bocas se aproximam.
Quando você sussurra meu nome.
Gosto de sua mão na minha pele deslizando.
E de sentir meu peito ao seu colando.
Você fica acariciando meus cabelos.
E eu enrosco meus dedos nos seus pelos.
Sinto a sua barba nascendo.
E toco seus lábios docemente.
Gosto de nossos corpos colados.
Dos momentos que ficamos calados.
Adoro os momentos que passo ao seu lado.
Você consegue apagar toda dor do meu passado...

sonia delsin 


SUA PRESENÇA

Quando você chegou, eu me sentia tão vazia...
Minha noite era tão fria...
Meus dias viviam cinzentos.
No viver não encontrava contentamentos.
Estava desiludida.
De mal com a vida.
Buscava alguma coisa que me fizesse vibrar.
Queria de novo meu coração a cantar.
E você veio...
Veio das brumas do tempo...
Veio me falando...
Argumentando...
Eu fui provando... experimentando...
Com sua presença em meu viver me acostumando.
Mas não era para durar.
Era só para me mostrar...
Sim, me mostrar que a vida podia ser linda.
Que eu tinha muito a viver ainda.
Meu querido...
Você me despertou da letargia.
Me mostrou o quanto eu sempre amei poesia.
E como isso me traz alegria.

Hoje estamos distanciados...
Mas quando queremos bem os corações se mantêm aproximados.
Somos os mesmos de sempre...
Dois seres do passado.
Que se reencontram quando isto se faz necessário.
Você vive no meu peito... no meu relicário.

sonia delsin 


A RUGA DO ANJO

Eu mirava o anjo e notava a ruga.
Entre as sobrancelhas ela se fortalecia...
Mas à medida que ele ria se desfazia.
Era um destes anjos de cabelo liso.
Nada a ver com anjinhos de cabelos encaracolados e dourados.
Os cabelos de meu anjo eram avermelhados.
Anjo... anjo...
Que face linda... que olhos doces!

Te quero tanto, meu anjo... te quero bem...
Sei que me quer também...

sonia delsin 


VIAGENS...

Eu voei de verdade.
Fui até a sua cidade.
Senti seu cheiro.
Deitei a cabeça no seu travesseiro.
Tempo bom aquele que eu podia voar!!!
Nada conseguia me amedrontar.

Fora do corpo viajar.
Em qualquer lugar posso estar.
É só relaxar... acreditar... deixar o espírito solto no ar...

sonia delsin 


RUAS NUAS... NUAS RUAS...

O vento a varrer
as folhas mortas.
Ruas nuas...
Minh’alma
arrepiada.
O olhar preso
na calçada.
Tentando buscar
o ausente que passos perdidos
deixou.
O olhar preso
em dois seres abraçados que o tempo
levou.

sonia delsin 


VOU BUSCAR

Vou buscar água na fonte.
Eu vou.
Vou buscar o meu casaco.
Eu vou.
Vou dançar com meu amor.
Eu vou.
Vou sonhar um pouco.
Eu vou.
Só não vou deixar a vida me roubar...
O que me faz vibrar...

sonia delsin 


SE FOI SONHO...

Se foi só um sonho...
Quero de novo sonhar...
E no sonhar
reencontrar
o que o tempo
não conseguiu segurar.
Melhor divagar...viajar...
Que assim consigo me transportar
para um lugar
onde você

deve estar...

sonia delsin 


GRATIDÃO

Guardo no meu peito com um carinho imenso.
Quantas vezes nele eu penso.
Quanta bondade!
Palavras não traduzem um homem assim.
Se foi importante pra mim?
Mais que importante.
Foi tudo de bom que o mundo podia me dar.
É um tesouro que sempre vou guardar.


sonia delsin 



AS MENINAS

Tão lindas...
Lindas.
Qual é a mais bonita?
Não posso afirmar que uma é mais.
São bonitas demais.
Meninas...
A mãe de vocês já deitou a cabeça no meu colo.
Como eu a acarinhei!
Quanto a amei!

A vida é surpreendente.
Encontro no riso de vocês duas o tempo que o tempo consegue guardar.
Encontro todos os pedaços de um amor que nunca vai se acabar.

sonia delsin 



NA RUA... NA LUA...

Eu caminhava.
O vento meu cabelo agitava.
Minha roupa balançava.
E a noite tão fria ficava.
A lua eu namorava.
A rua nada me dava.
Eu sonhava.
Lhe buscava.
Como quem busca um sonho já sonhado.
Até enterrado.
Abandonado.
Mas que insiste em ser recordado.

sonia delsin 


ANTES FOSSE

Ele me dizia... você é tão ocupada.
Tem uma vida agitada.
Eu respondia.
Antes fosse...
Se soubesse das minhas horas tão minhas.
Minhas horas tão sozinhas.
Eu as preencho com sonhos...
Com meus voos...
Eu tento enchê-las de alegrias...
E de poesias...
Que estas nascem espontaneamente.
Nascem naturalmente...
Dos meus momentos de dor...
Dos meus pequenos contentamentos.
A poesia nasce dos meus momentos.



sonia delsin 


SEU OLHAR

seu olhar me queimava
como me desejava!
que foi feito de tudo o que houve entre nós?
que houve?

sonia delsin 


PENA

Se você soubesse como eu lhe amei.
Como sonhei!
Como nas minhas noites solitárias o busquei... o chamei...
Mas mudaria alguma coisa se você soubesse?
Você correria para meus braços?
Creio que não.
Cheguei tarde em sua vida.
Já estava ocupado o seu coração.
Pena...
Pois tanto eu tinha a lhe oferecer.
Acontece que nestas coisas de amor... não se pode escolher.

sonia delsin 


NUVENS

Fiapos...
Sonhos...
Nuvens...
Tudo no meu céu.
Tudo no meu mundo ao léu.

sonia delsin 


NO MELHOR DO SONHO... II

Acordei com tua boca na minha.
Com tua mão deslizando.
É, eu estava sonhando.
E acordei no melhor do sonho.
Acordei quando ia se consumar

o que vivo a desejar...

sonia delsin 


VOLTANDO II

Chego-te manhã fresca.
Estou voltando, amor.
Com uma braçada de flores.
Deixei pra trás tantas dores.
Tantos dissabores.
Estou voltando.

sonia delsin 


COLHEITA

Colhes tempestades...

Semeastes tanto vento.
Foi-se o meu tempo de tormento.
Agora é teu tempo de colher.

Na vida temos os caminhos pra escolher.

sonia delsin 


REFLEXO II

Era tu e eu...
No espelho.
No espelho da sala dos sonhos.
Um reflexo apenas do que seríamos se fôssemos.
Tudo sonho.
Tudo ilusão.
Tempo bom.
De alimentar meu coração.

sonia delsin 


ANDORINHAS

Tão bonitinhas.
Contentinhas.
Enchem minha manhã de alegria.
Diga-me.

Não são pura poesia?

sonia delsin 


MEUS VOOS SOLITÁRIOS... II

Sim, eu voo.
Se tenho asas?
Claro que as tenho.
Estão meio feridas, mas aguento voar.
Sou de me desprender, de sonhar...


sonia delsin 


QUEM É? QUEM? II

Quem é este feiticeiro?
Acendeu no meu coração um braseiro.
E partiu...
Foi-se sem nunca ter ficado.
Me iludi.
Imaginei que era o meu amado.

sonia delsin 


QUEM É?

Quem é este homem?
Este que caminha pela praia?
Seus ombros caídos.
As mãos e os braços dependurados, soltos, frouxos.
As pernas meio cambaleantes...
Eu o desconheço neste caminhar.
Observo-o ao longe.
Os cabelos branquearam.
O rosto emurcheceu.
A boca bonita ficou contraída.
Quando ele se aproxima vejo seus olhos.
Os olhos... tão tristes olhos.
Ó Deus! Os olhos dele são dois lagos profundos.
São espelhos.
Ele me conta coisas de um tempo...

De um tempo que nós dois só queríamos esquecer.

sonia delsin 


VITRAIS PARA UM MUNDO IMENSURÁVEL

Ela costumava sonhar.
Sonhos coloridos.
Eram vitrais
para um mundo
imensurável.
Um mundo mais bonito.
As cores existiam
e lhe vestiam o
viver.
Possuía umas asas
tão douradas.
Fosforescentes chegavam a ser.
Umas encantadas asas
que buscavam
o inatingível.
Seguia assim.
Buscando encanto
no mundo que alcançava.
Mas a vida quis lhe fechar
todas as moradas alcançadas.
Escureceu.
O que era luz entristeceu.
Um mundo em branco e preto,
inconcebível, lhe chegou.
As asas foram amarradas.
A voz ficou calada, sufocada.
Um espinho lentamente foi lhe penetrando o coração.
A pobre ave agonizou.

sonia delsin 


VESTIDA PARA MORRER

Sobre a cama um vestido estendido.
Lindo vestido para noite.
Vestido de baile.
A formatura.
Quantos sonhos, ó Deus!
E a hora chegando.
Nos cabelos papelotes para deixá-los mais ondulados.
Foram sempre tão lisos.
Nos lábios sorrisos.
Os olhos passeando pelo quarto de estudante.
Tantos anos fora de casa.
Heitor.
O que foi feito de tanta ilusão?
Casou-se...
O amor acabou...
Que importa tudo isso?
Só importa é que se formou.
Os pais chegariam em pouco tempo.
Mariana a lhe perguntar a cor da sombra que deveria usar...
Mariana, tão amiga! Companhia tão gostosa.
Nova vida.
Formada enfim...
─Volta para casa minha querida?
─ Mamãe, não me decidi ainda
A amiga ajudando-a vestir-se.
Os pais. Tantos abraços.
Em meia hora sairiam.
Um ligeiro mal-estar.
A mãe dizendo:
─ Deve ser a emoção querida.
─ Mamãe, estou mal.
Tão linda no vestido de baile Mônica deu a entrada no hospital.
─ Sinto informá-los. Não há mais nada a fazer...
Mariana não cessava de chorar e repetir:
─ Ela estava vestida para comemorar a formatura e não para morrer.

sonia delsin 


DESÇAM AS CORTINAS

Esqueci a fala.
O público espera.
Se cala.
Olhos, tantos olhos grudados em mim.
Sou a personagem principal.
Deus! Eu não sei mais como continuar o espetáculo.
O diálogo... eu o havia decorado.
Estava tão bem preparado.
Uma das pessoas da platéia mexeu comigo.
Me lembrou um tempo tão antigo!
Não quero continuar.
Desçam as cortinas.
Vou parar.
Não sei mais representar.
Uma estrela acaba de se apagar.
Nunca mais vai brilhar.

sonia delsin 


LIBERDADE PERDIDA

Uma vida sem objetivos.
Enquanto cá fora brilha um sol de ouro.
Uma brisa deliciosa vem do sul.
A natureza vibra!
Existe festa no ar.
Lá dentro uma vida se apaga aos poucos.
Por que aquelas mãos de anjo se tornaram mãos assassinas?
Por que o ódio?
O desamor?
A violência?
Um simples gesto, uma atitude desconcertante que põe tudo a perder.
Por que os sonhos de criança não se realizam?
Eu me pergunto o que foi feito daquele olhar infantil carregado de ternura.
O que foi feito da doçura.
Quais as razões que levam um ser humano a trocar a liberdade pela prisão?
Por que tanta desolação?
Existirá perdão para alguém que endureceu o coração?


sonia delsin 



PROCURA

Minha vida.
Minha busca.
Esta procura.
Procuro respostas num céu que não responde.
Ele está calado para mim.
Já respondeu tudo e eu não ouvi.
Ou fiz que não.
O óbvio me apavora.
Me devora.
Diz que é hora.
Quero me agarrar aos de uniforme branco.
Minhas mãos inertes não têm forças.
Meus olhos se fecham.
O cansaço...
Cadê o homem de aço?
Lágrimas correm de meus olhos.
Ensopam ainda mais este travesseiro molhado.
Que dor partir!
Tenho que ir.
E lá? Como será?
Acaba-se a minha procura?
Este encontro comigo diz que acabou todo perigo.
Esta luz o que me diz?
Se eu fui feliz?
Ah! Ela está dizendo que eu cheguei...
Que finalmente eu voltei.

sonia delsin 


DENTRO DE MIM

Dentro de mim mora alguém que fala comigo baixinho.
Dentro de mim mora alguém que me mostra o melhor caminho.
Dentro de mim mora alguém que sempre sabe o que é certo.
E o que é errado.
Pena que às vezes eu não consigo.
Ou não quero ouvir essa voz, que fala lá dentro de mim.
É uma voz tão baixinha, tão suave, tão minha.
Que só eu posso ouvi-la.
Mas nem sempre me proponho a ouvir o que ela quer me falar.
Quando eu a ouço e a sigo tudo vai bem comigo.
Mas quando eu só quero ouvir o que o mundo me fala.
Então eu me machuco todo pela minha estrada.
Sigo direções erradas, bato em portas fechadas.
Ando em círculo. Dou mancada.
Mesmo quando eu a ignoro ela não fica zangada.
No momento seguinte já está falando comigo baixinho.
E eu passando de novo por cima.
Querendo seguir a minha estrada sozinho.

sonia delsin